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O trabalho perfeito não existe

9 de dezembro de 2019

Essa semana estava ouvindo o episódio “Quantas vidas a gente consegue ter em uma vida” do podcast “É noia minha?” no Spotify e me fez ter algumas reflexões importantes. É possível se reinventar e se redescobrir ao longo da vida?

O podcast fala bastante dessas exigências horríveis que a sociedade criou para nossas vidas, quase um organograma sem direito a escolhas erradas ou ressignificações: decidir uma profissão aos 17, casar aos 25, ter filhos aos 30, comprar a casa própria aos 40, se aposentar com 60.

Como escolher uma profissão para fazer o resto da vida com 17 anos quando você ainda está formando a sua construção social e mal entende dos perrengues de ser um adulto? A vida não funciona desse jeito!

Eu mesma, autora desse artigo, depois dos 30, passei por um processo de mudanças internas enorme e mudei toda a construção de trabalho que eu tinha planejado para minha vida. Fui chamada de loucas por muitos… Mas a Marília de 17 anos que escolheu estudar arquitetura para fazer projeto não encaixava na Marília de 30 que queria usar a arquitetura para outros fins e que inclusive, nem acha mais tanta graça na arquitetura assim.

No meio disso tudo, nos acostumamos a ver nossos pais na mesma profissão a vida inteira, em muitos casos, trabalhando na mesma empresa por 30 anos. E aí começamos a nos culpar quando a gente não encontrou um emprego ou propósito muito novos ou quando bate a crise dos 25, dos 30, dos 40 e sentimos a necessidade de mudar.

“Quando eu passar no concurso X vou finalmente ser feliz”. E aí você passa no tal concurso e não é feliz, porque isso não está dentro de uma causa maior, de um propósito. Por isso, emprego e trabalho não são perfeitos, porque eles não são objetivos alcançáveis, apesar de nos fazerem acreditar que são.

Emprego e trabalho não são coisas que podemos ter, mas sim que devemos criar. E como criar isso?

1. Mude sua perspectiva

Um trabalho com propósito é relativo e pessoal. Se todo mundo está no mundo dos negócios, mas você ama cuidar de plantas, por que você deveria seguir a demanda? Aliás, pra que fazer faculdade como se isso fosse uma espécie de prêmio? Se não está no seu propósito um curso superior, você não precisa disso.

Adoro a história de um amigo meu advogado que largou tudo para virar professor de yoga. Ele ganhava mais sendo advogado, mas era imensamente triste. Durante o ciclo da vida, suas prioridades, gastos e gostos podem mudar. O que você amava anos antes, não é mais tão importante hoje.

2. Explore suas paixões

“Encontre sua paixão”. Parece frase de auto-ajuda barata, mas faz um sentido imenso. Identificar o que você gosta e o que você não gosta, colocando numa listinha num papel já é um grande caminho. Ninguém tem só uma paixão!

Aprender a dizer não, quando possível, para aquilo que está na lista do que você não gosta e não se identifica, já é um bom começo.

3. Foque em fazer conexões

Conecte-se com outros. Procure comunidades de pessoas que gostam de fazer o que você faz e com quem você pode aprender. Comece a perceber se o trabalho que você faz está cercado de pessoas com quem você quer estar e que podem te fazer crescer.

Ano passado eu descobri o grupo do Urban Sketchers, um ONG internacional de desenho de observação, exatamente no momento que estava numa fase de resignificação, voltando a desenhar depois de muito tempo sem tocar no lápis. Os contatos incríveis que estou fazendo por lá tem me ajudado a ter insights potentes e descobrir um outro lado da minha profissão.

4. Se lembre o porquê

Em Okinawa, no Japão, onde o nível de felicidade é um dos mais altos do mundo, existem um termo muito repetido pela população que é o Ikigai e significa “a razão para você acordar de manhã”.

Isso quer dizer que quando você achar sentido no seu trabalho, você vai saber. Quando você tem um propósito, você sente que seu trabalho tem um porquê, que você está adicionando valor e mais importante, que você tem valor.

Criar trabalhos significativos para nós mesmos é vital e importante. Não é só sobre se sentir bem ao acordar de manhã e ganhar um bom salário. É sobre entender o que de bom podemos deixar para o mundo! Trabalho significativo não se encontra, se constrói.

Pra finalizar, eu adoro uma frase do Dalai Lama que diz assim:

“Nós somos visitantes nesse planeta. Viveremos aqui por 90, 100 ano no máximo. Durante esse tempo, devemos fazer algo bom, algo útil com nossas vidas. Se você contribuir para a felicidade de outros seres, você encontrará o verdadeiro alvo, o sentido de toda a vida”.