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Quatro tendências ultrapassadas no design de interiores

4 de março de 2019

E existem tendências ultrapassadas? Confesso que sou aquela pessoa que nem gosta muito de se apegar demais a tal da palavra “tendência”, como se todo projeto que a gente fosse fazer tivesse que ser amarrado a normas/condutas que estão na moda, do contrário estão fadados ao insucesso.

Claro que as tendências existem e ainda bem, se renovam ano a ano (imagina a gente vivendo numa casa renascentista??? rsrsrs), mas acho que ninguém deve ficar preso a isso ao ambientar uma casa/apartamentos/negócio. Adoro reviver tendências do passado, reaplicando-as à realidade atual de acordo com o briefing do projeto e do cliente.

Contudo hoje quero conversar sobre tendências que já foram super moda em anos anteriores e hoje, acho que não deveriam voltar nunca. Sucessos que além de esteticamente confusos, funcionalmente também trazem grandes problemas quando inseridos num espaço. Isso não é apenas uma opinião pessoal, mas também um estudo de vários anos trabalhando com interiores e observando de perto o que torna um ambiente pesado, triste, escuro; influenciando diretamente nas emoções do usuário.

Vamos lá destrinchar esse monstrinhos!

Colunas e forros de gesso dóricos

Era muito comum nos anos 90 revestir os pilares (quando expostos no meio da casa) com frisos imitando as colunas dóricas do período do apogeu da Grécia Antiga. Se você assistir alguma novela dessa época vai observar o quanto isso era comum, uma tendência beeeeeem 90´s.

O mesmo acontecia para os tetos! As sancas de gesso eram trabalhadíssimas com frisos, camadas, curvas em vários níveis e alturas. Só que tem um grande porém nessa estética clássica helenística: acúmulo gigante de sujeira! Essas dobrinhas todas acumulam uma quantidade infinita de poeira que dá um trabalhão de limpar, principalmente no teto.

Digo isso por experiência própria, porque  a casa dos meus pais era exatamente assim. Todo ano perto do Natal meu pai pegava uma escada e ia limpando as dobrinhas com um paninho úmido… e minha irmã que era super alérgica passava o ano na base das bombinhas.

Definitivamente é algo que só deve ser reproduzido com um fim muito específico, como por exemplo, uma boate com um ambiente grego ou um restaurante grego… e ainda assim deve ser muito bem pensado.

Reprodução de quadros famosos

Pinturas famosas e grandes clássicos da arte devem ficar em museus, apenas. Se você não é colecionador e não tem dinheiro para adquirir o quadro original, não o tenha. Além disso, se o objetivo de uma obra de arte é ser admirada, uma impressão em papel plástico jamais vai atingir as pinceladas do artista.

Se você é muito fã mesmo, pode comprar reproduções pequenas em papel A4 que são vendidas nas saídas dos museus com a gravação clara do nome da instituição. E pode até criar um cantinho homenageando o artista, com a definição sensata de que aquilo é uma reprodução e não algo falso que foi criado claramente para imitar.

Usar a obra desse jeito em casa, principalmente em tamanhos gigantes, além de mentiroso, é uma afronta à pessoa que pintou a arte. O que você acha que Picasso ou Van Gogh achariam disso se estivessem vivos?

Excesso de madeira e bege

Sabe aquela casa cheia de móveis pesados de madeira: mesa, cadeiras, estantes, centro, mesas laterais… absolutamente nada é feito de outros materiais. E pra completar, as paredes ainda são em tons de bege/marrom/nude?

Em todas as casas e apartamentos que entrei até hoje, esse tipo de ambiente eram sempre os que me deixavam mais pra baixo. Todo o peso da madeira atrelado às cores pastéis imprimem uma sensação de tristeza e falta de conexão muito grande com o espaço. Esse tipo de estilo também era muito comum nos anos 90 e é uma herança das casas de campo americanas (eles ainda usam muito esse tipo de ambientação por lá).

O pior mesmo desse tipo de decoração é que os móveis de madeira geralmente são pesados e muito profundos, o que acarreta diversos problemas de circulação, e que se tornam visivelmente ainda piores com as cores quentes que tem o poder de diminuir o espaço.

Bibelôs e Coleções

Excesso de itens de pequeno porte, como lembrancinhas de viagem, chaveirinhos, copinhos, vidrinhos; além de acumular sujeira e energia parada na casa (quem tá assistindo Marie Kondo no Netflix??? Tem até um post sobre energia parada na casa aqui), são visualmente pertubadores quando usados em excesso.

Claro que se você é colecionador e curte seus objetos, não precisa se desfazer deles, mas tente abrigá-los em locais fechados (ou com porta de vidro) e não espalhados em prateleiras e estantes abertas pela casa.

A sensação que tenho nas casas de pessoas que tem excesso de bibelôs é que a gente precisa andar pisando em ovos para não quebrar nada, com medo de circular pelo espaço, gerando tensão e estresse.

Fora isso, na grande maioria das vezes, percebo que essas coleções nem tem valor afetivo, são casos claros de acumuladores compulsivos e até mesmo de compradores compulsivos…. uma pena!

Quanto a vários outros itens considerados polêmicos como: pinguins de geladeira, anões de jardim, toalhas de crochê, flores de plástico, tecido de oncinha, samambaia…. Amo todos! Acho que esses itens, se usados de maneira inteligente valorizando a estética kitsch e mesclados com outros elementos atuais, podem ficar fantásticos no final a depender da intenção. Tudo é questão de bom senso e de um bom profissional pra te ajudar…;)