Instagram

Follow Me!

Carreira Lifestyle

Sobre pedir demissão

17 de outubro de 2019

Você trabalha há anos em uma empresa e um dia de repente olha pro lado e sente que ali não é mais o seu lugar. Na verdade, talvez esse sentimento até já esteja maturando em você há meses.

Os fatores acerca da decisão de pedir demissão são muitos: salário, chefes opressores, horário de trabalho, desvio de função, desencantamento e às vezes até a soma de tudo isso. Outras vezes você apenas mudou e aquele trabalho, que é até bem legal e bem pago, já não faz mais sentido algum.

Já pedi demissão algumas vezes na minha vida e nunca é uma decisão fácil: será que consigo outro emprego logo? Devo empreender agora? Vou ficar mal visto pelos meus superiores?

Mas das duas vezes em que pedi demissão posso afirmar que foi a melhor decisão que tomei na minha vida. Deu muito medo, pavor, desespero e até fiquei sem ganhar dinheiro por um tempo até me recolocar, mas aquele cotidiano já não fazia mais sentido algum pra mim.

Foi-se o tempo dos nossos pais que passavam 30 anos trabalhando no mesmo lugar, construindo uma carreira baseado em degraus e numa mandala de trabalho piramidal. Hoje, na era digital onde as novidades crescem exponencialmente, parece não mais fazer sentido passar tanto tempo num lugar só.

Para o economista britânico Guy Standing que pesquisa há décadas as mudanças estruturais no mercado de trabalho e lançou o livro  “O Precariado – A nova classe perigosa”, a população mundial experimenta cada vez menos o emprego, no sentido formal, para ocupar vários trabalhos durante a vida.

O trabalho se torna cada vez mais sob demanda porque essa é a flexibilidade que o mundo digital impõe, então empregos de longa duração já não fazem mais tanto sentido e teremos que nos reinventar pedindo demissão (ou sendo demitidos) várias vezes durante a vida.

Mas pedir demissão sempre tem um lado bom: somos obrigados a passar por um processo de transformação interna, redefinindo nossas habilidades, planejamento de carreira e futuro profissional, que no final é sempre bom.

É como dar um passo para trás para dar 3 para frente. Dependendo da demissão, até cinco!