Arquitetura Inovação

O que Neri Oxman pode nos ensinar sobre as construções do futuro

6 de fevereiro de 2020

Se você assistiu a segunda temporada de Abstract, a série sobre o fluxo criativo de profissionais ao redor do mundo, com certeza conhece Neri Oxman.

Professora do MIT e Pesquisadora do Media Lab (laboratório de inovação e ideias disruptivas de uma das melhores universidades do mundo) Neri é israelense, arquiteta graduada pela Architectural Association de Londres e PHD em Computação pelo próprio MIT.

Além disso, Neri foi considerada pela Fast Company como uma das 100 pessoas mais criativas do mundo em 2009 e tem seu trabalho exposto em diversas instituições como o Smisthsonian em Washington, Centro Georges Pompidou em Paris e o Science Musem em Boston. Neri também foi ganhadora do Prêmio de Design Cooper Hewitt do ano passado.

Mas o que Neri tem de tão especial além da vida acadêmica? Digamos que ela faz muito mais do que escrever artigos e dar aulas.

Arquitetura x Biologia X Arte

Neri tem trabalhado com biocompostos, ou seja, ela estuda materiais da natureza como a pectina da casca da maçã, corais ou a seda do bicho da seda para entender a estrutura por trás desses produtos biológicos e a partir disso criar uma matéria-prima artificial, mas que foi gerada pela natureza.

Essa matéria-prima biodegradável e não-poluente é então colocada numa impressora 3D onde são construídas verdadeiras estruturas gigantes que vão desde instalações artísticas até abrigos de grande porte.

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Aquahoja, uma das instalações criadas por Neri e sua equipe no Media Lab, feito com pectina retirada da maça.

E o que esse trabalho tem de tão relevante?

Neri Oxman é a primeira pessoa a unir a natureza e as construções humanas de uma maneira tão sólida, resistente e ao mesmo tempo bela. Uma mistura incrível de tecnologia, arte e biologia.

Seu trabalho é um manifesto contra as maneiras tradicionais de construir que são verdadeiros poluentes do nosso planeta, gerando elevadas taxas de gás carbônico na atmosfera e também deixando inúmeros resíduos não-descartáveis em aterros e lixões.

Para Neri, a maneira tradicional de se construir é feita do mesmo modo há milênios e precisa ser reinventada. Há quanto tempo o homem usa tijolo e cimento nas construções? Por que a arquitetura não tem acompanhado as evoluções tecnológicas do mundo? Quem lembra desse post que fiz sobre Skara Bae e o quão recente é a evolução dos nossos modos de morar?)

A lógica tradicional da construção

Neri não só reinventa os materiais.Ela também questiona o pensamento racional da lógica arquitetônica de pensar, onde desde a Revolução Industrial, linhas de montagem ditam um mundo feito de partes enquadrando a imaginação de arquitetos e designers que foram treinados a pensar nos seus projetos como resultados de pedaços com funções distintas.

Será que seríamos mais criativos, imaginativos e resolveríamos graves prolemas do nosso mundo se não fossemos guiados por um modelo de pensamento tectônico tão rígido?

Outra coisa importante que podemos aprender com Neri Oxman é a importância de trabalhar com uma equipe multidisciplinar. No seu laboratório há engenheiros, biólogos, químicos e cientistas da computação. Ela afirma que jamais teria conseguido transcender em suas pesquisas se não fosse o seu time tão diverso.

Por que ainda insistimos em trabalhar isolados por aqui?

O trabalho de Neri Oxman pode nos dar sinais de como devemos nos adaptar às mudanças construtivas e de espaços num futuro próximo e nos mostra que devemos urgente começar a repensar o status quo da arquitetura e da engenharia civil num planeta que já não aguenta mais processos tão antigos e opressores.