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Arquitetura Design

Estaria o Instagram estetizando a arquitetura?

8 de outubro de 2019

Em menos de 9 anos o Instagram passou de um programa de compartilhamento de fotos para um elemento da cultura contemporânea. Passou de aplicativo a verbo: “instagramear”. Redefiniu o marketing e a maneira como as empresas fazem negócios e criou a profissão de influenciador, obrigando as empresas a sinalizar post comerciais de posts normais.

Arquitetura não ficou fora desses acontecimento, por exemplo, a semana de Milão criou a lista “Top 10 instalações mais instagramáveis” para definir tudo o que foi mais fotografado e compartilhado na feira.

A relação da fotografia com a arquitetura é antiga e desde que foi criada, ajudou a publicação de livros sobre ícones da construção mundial captando ângulos e perspectivas quase impossíveis de se criar apenas a lápis.

Mas essa relação, após a explosão instagrámica, tem ficado mais complexa, modificando a maneira como nos conectamos com os espaços através das imagens. Caminhamos pela cidade observando o que vai parecer interessante no nosso feed: cores berrantes, ângulos estranhos, portas coloridas. Quanto mais estranho e inusitado, mais interação, curtidas e engajamento.

Especialistas afirmam que uma nova estética a qual chamam de “Arquitetura Instagramável” estaria surgindo e modificando tanto a maneira dos arquitetos de criar, obcecados pelas por formas que gerariam mais cliques e tanto pelas pessoas, interessadas em visitar espaços que gerem essas imagens disruptivas.

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O projeto do museu do LEGO do escritório BIG

Escritórios como BIG e Heatherwick Studio exploram esse conceito, criando ícones de geometrias absurdas que não só interferem no skyline da cidade, mas dialogam diretamente com a tela dos celulares numa nova forma de ocupação urbana.

Mas não são só os arquitetos a explorar essa faceta das telas digitais. Designers de interiores tem trabalhado exaustivamente os tons pastéis e o estilo industrial, favoritos da geração millenial, a queridinha do instagram, criando experiências de espaços que agradam o olhar desse jovens ávidos por conteúdo de imagem.

Já existe até aplicativo que mapeia os locais mais instagramáveis nos grandes centros urbanos, facilitando a vida de turistas que estão viajando!

Estaria o instagram transformando a experiência arquitetônica do espaço numa experiência de representação de duas dimensões?

Mas estaria essa cultura criando uma sensação de urbanidade que prejudica a coesão social? Estariam as pessoas ávidas por fotografar essas locais e depois esquecê-los, na urgência de procurar novos locais para alimentar o feed num looping eterno pela busca de imagens. Mais de 1,2 trilhões de fotos foram publicadas no Instagram em 2017, das quais 85% em smartphones. Quantas dessas imagens foram vistas uma segunda vez?

Será que ainda é possível criar hoje sem se preocupar com as métricas do aplicativo? Será que estamos criando espaços instantâneos para um deleite breve e que perderão o senso de longevidade?

Ou será que está para nascer um novo modo de projetar, preocupado com a imagem digital e o engajamento social mais do que como bem-estar a longo prazo?