Arquitetura e Cenografia: As passarelas da moda

Quem gosta de acompanhar os desfiles das semanas de moda de Paris, Nova York,  Milão, Londres e São Paulo certamente já parou para observar o cenários onde os desfiles acontecem. Antigamente, os desfiles das grandes grifes aconteciam no próprio atelier dos artistas , mas hoje em dia com desfiles cada vez mais criativos e conceituais, ter um cenários específico para transmitir a mensagem da coleção tornou-se comum.

É um trabalho construído a vários mãos: designers, arquitetos e cenógrafos concebem um ambiente que geralmente é sugerido pelo estilista da coleção, que pode ser no interior ou exterior de alguma edificação e criam todo um conceito de iluminação, cores, mobiliário e até circuitos (hoje as passarelas não são mais uma linha reta, as modelos podem andar  até em círculos, por exemplo) que deem dinâmica e dialoguem com todos os elementos da coleção: maguiagem, música, roupas e sapatos.

É incrível ver como esse trabalho de cenografia vem se superando e construindo um nicho interessante de mercado para jovens arquitetos e designers de interiores. Vamos analisar alguns trabalhos?

chanel

A Chanel é uma das grifes que mais investem em cenários quando lançam uma nova coleção. A concepção é sempre incrível e o olhar de Karl Lagerfeld, diretor criativo da maison que também é ilustrador e fotógrafo, com certeza influenciam para um trabalho primoroso. Geralmente Karl sempre convida alguém diferente para trabalhar com ele na cenografia como foi o caso do convite à arquiteta iraniana Zaha Hadid para cômpor o cenário da coleção verão 2011 inspirada no fundo do mar e que pra mim foi um dos mais incríveis – a coleção era cheia de pérolas e as modelos saim de dentro de conchas e corais brancos.

Outros cenários que amei foram a “praia varanda” de uma das coleções de verão, a recriação da Place Vêndome de Paris no inverno de 2011 num estilo meio dark com iluminação neon e o cenário que remetia a um mundo de cristais na coleção de inverno 2013.

prada

A Prada é outra grife que gosta de convidar arquitetos de vez em quando para prôpor cenários, como o escritório OMA do holândes Rem Koolhas que criou a passarela da coleção masculina de verão de 2015, essa piscina quadrada cheia de pilares aí da foto. Os cenários da Prada são bem minimalistas e refletem bastante a linguagem da griffe. O trabalho é bastante focado na iluminação e em desníveis com o público mais alto ou mais baixo que os modelos.

A Prada também é detentora da MiuMiu, outra griffe que investe bastante em cenografia para seus desfiles.

dior

A Dior é uma griffe que vem me surpreendendo em termos de cenografia ultimamente! Fiquei impressionada com essa última foto da passarela da coleção inverno 2015 com andaimes montados sobrepostos uns aos outros e  no fundo um painel de espelhos que refletia as imagens desses andaimes, achei uma das ideias mais fantásticas que já vi e que mostram bastante como a griffe está hoje, com um conceito mais dark e futurista! E esse teto rosa deixou tudo ainda mais interessante.

Outras passarelas que gostei de outras coleções focavam bastante em flores e jardins, uma das características das últimas coleções da griffe que trabalhavam um conceito mais romântico e delicado. Nessas coleções com certeza foi necessário um bom florista junto ao designer para que toda essa concepção de cenários-natureza acontecesse.

tommy

A Tommy Hilfiger é conhecida por ser uma marca americana com uma linguagem bem esportiva e colorida, então os cenários tentam também beber dessa fonte. Para a coleção inverno de 2014 que oi inspirada em esportes de frio, a passarela foi toda inspirada em gélidas montanhas com neve e pinheiros por todos os lados.

Outra coleção que deu o que falar foi a de inverno desse ano inspirada no futebol americano, esporte mais amado nos EUA. Para isso, eles montaram um campo com arquibancadas, holofotes e até placar onde as modelos andavam em “quadrados” dando a volta por todo o campo. O cenário fez tanto sucesso que foi bem mais falando que a coleção, pena que não descobri que concebeu.

vuitton

A Louis Vuitton é outra griffe francesa que ama um cenário descolex e inusitado, sempre dialogando com as coleções. A coleção verão 2011 que o diga: as modelos não andavam, e sim apareciam em círculos sentadas nos cavalos de um carrossel gigante que girava no meio do público! Tudo uma criação do diretor criativo da época, o estilista Marc Jacobs.

A coleção inverno 2014 também foi incrível, inspirada nos hotéis dos filmes de Hitchcook, as modelos saiam de portas e desfilavam por um grande corredor. Outra que deu o que falar foi a coleção de verão 2013 inspirada na op art (estilo artístico denominado ” a arte da ilusão”) onde as modelos desciam de escadas rolantes e andavam num piso geométrico meio abstrato. Essa coleção fez tanto sucesso que até hoje vemos roupas pretas e brancas com estampas geométricas copiadas desse conceito.

 

E aí, ficou intressado em entrar nesse ramo? Achei dois cursos bem interessantes que podem ser um pontapé inicial dessa carreira:

Curso de criação de cenografia para eventos corporativos – Senac SP

Pós-graduação em Cenografia e Figurinos – Escola de Belas Artes de SP